14 setembro 2017

Se existir um Deus (Θεός αν είναι)

Há já anos que abandonei este blogue, mas hoje aproveito que ainda segue no ar para dar à luz umha traduçom dumha cançom da que muito gosto. Com letra de Lina Nikolakopoulou (Λίνα Νικολακοπούλου) e música de Goran Bregovic (Горан Бреговић), foi cantada em primeiro lugar por Haris Alexiou (Χάρις Αλεξίου) que a gravou em 1996 para o seu album ao vivo Gyrizontas Ton Kosmo (Γυρίζοντας Τον Κόσμο), se bem existam versões por outras cantoras e mesmo cantores.

Devo reconhecer que o meu conhecimento do grego é quase inexistente, polo que a traduçom é feita partindo de traduções ao inglês e ao castelhano. E tendo em conta os erros inevitáveis desta empresa, permitim-me umhas quantas liberdades. Nom é portanto umha versom muito fiel à letra, mas espero ter recolhido o espírito. 





 

Se existir um Deus

Polas noites entras nos meus sonhos
como se passearas polo teu jardim
e ainda que as minhas asas já medraram
ando sempre ao teu redor.
Se existir um Deus...

Mil anjos nas suas brancas vestes
distribuem ramos de esquecimento
entanto os teus filhos
exalam do meu corpo como estrelas.

Se existir um Deus, e ele for justo,
queimaras-te por sempre nos infernos
e quando queiras beber, as minhas bágoas
tornaram-se lava ardente na tua gorja.
Meu coraçom, nom podes perdoar eternamente.

C'os anos, todos os meus amigos
devírom casais e tenhem lares
apenas eu resto sozinha,
sem um teito de verdade.

Se existir um Deus, e ele for justo,
queimaras-te por sempre nos infernos
e quando queiras beber, as minhas bágoas
tornaram-se lava ardente na tua gorja.
Meu coraçom, nom podes perdoar eternamente.

14 julho 2011

Reflexões ao fio do projecto Sermos Galiza - III

Alternativa

Pode-se nesta situaçom artelhar um jornal em galego, independente e crítico?. Na minha opiniom nom é viável enquanto empresa comercial. De facto vejo mesmo difícil um jornal comercial em castelhano crítico e independente dos poderes políticos e económicos, a pesar do maior público potencial. Porém, penso que é possível artelhar um jornal comunitário de qualidade, que combine o trabalho de profissionais com trabalho voluntário.

Usando as capacidades de colaboraçom que permite a internet, tenhem-se desenvolto um bom número de trabalhos comunitários, com resultados magníficos, pensemos nos inúmeros projectos de software livre, na wikipedia, na wikileaks, etc. A maior parte dos projectos deste tipo que me venhem a cabeça combinam um pequeno grupo de profissionais pagados, com um grande grupo de voluntários que colaboram sem remuneraçom económica. Acho que o galeguismo pode manter um projecto deste tipo, e mais depois que a crise económica tenha posto a nú o falhanço do sistema neoliberal que a imprensa comercial apresentava como o melhor possível.

Como implementar um jornal cidadao, que renuncie de vender o seu poder de influência, em troques do apoio cidadao?. Eis umha proposta:


Financiaçom

  • Principalmente polas quotas periódicas dum grupo, grande o suficiente, de pequenos sócios patronizadores1, estilo as rádios comunitárias dos USA, cientes que estám sustendo um projecto, i.e. que nom som simples assinantes dumha empresa jornalística. Cientes também de que o seu contributo vai ser aproveitado por outros, que sem pôr um cêntimo vam poder desfrutar do jornal. Contodo estes sócios devem ter algumha vantagem a respeito dos simples leitores.

  • Nom há porque renunciar aos ingressos publicitários, mas acho pouco realista pensar que vam representar umha percentagem importante dos ingressos.

  • Algumhas organizações poderiam apoiar o projecto, com dinheiros ou cedendo material e/ou pessoal. Penso por exemplo nos sindicatos, que som vilipendiados com freqüência nos media comerciais, e com os que se poderia negociar acordos de colaboraçom2.

  • Sem renunciar aos subsídios públicos, estes devem ser sempre usados para um fim específico, de maneira que a sua ausência nom comprometa a viabilidade do projecto.

Elaboraçom

  • Um pequeno grupo de profissionais remunerados, jornalistas e informáticos principalmente, seriam os responsáveis do mantimento do projecto: ediçom, elaboraçom de notícias, maquetaçom, etc. Cumpriria-lhes também a coordenaçom de

  • Um grupo alargado de colaboradores voluntários, que podem contribuir tanto na elaboraçom de notícias, textos de opiniom ou de criaçom, humor, etc. Evidentemente os sócios podem ser colaborar no trabalho, e resulta lógico que os editores prestem mais atençom às suas colaborações do que a outros colaboradores nom sócios.

  • Seria bom também implicar na elaboraçom a organizações, sobre todo sectoriais, por exemplo grupos ecologistas, grupos de defesa da língua, grupos religiosos, grupos laicistas, etc. Umha noticia/opiniom nos seus blogues vai ter muita menos difusom que num jornal com um certo sucesso.

1Patronizadores, ou sócios, e nom accionistas, já que nom aspiram a que a empresa, e o seu investimento, produza benefícios.

2Poderia-lhes interessar pagar parte dos gastos, servidores por exemplo, e ceder algumhas horas de trabalho dos seus jornalistas e técnicos, em troca dum certo espaço no jornal, para novas ou opiniões fornecidas por eles. Os grandes sindicatos tenhem uns portais profissionais, mas suspeito que a sua audiência nom é muito elevada.

13 julho 2011

Reflexões ao fio do projecto Sermos Galiza - II

Redefiniçom do campo de jogo

A rede tem alterado radicalmente o ecossistema jornalístico, trazendo umha forte competência para os jornais em papel, e como conseqüência as empresas jornalísticas tradicionais estám imersas numha forte crise.

  1. O público afijo-se a nom pagar por ler os jornais na rede, impondo-se um modelo similar ao que vigora na rádio e na televisom, i.e. os médias na rede tem que viver da publicidade.

  2. A rede nom conhece mais fronteiras que as lingüísticas, assim um galego, que nom se feche a dimensom internacional da sua língua, pode ler jornais dos 5 continentes sem se mover da sua casa.

  3. O custo material de fazer um jornal em linha som menores que os dum jornal tradicional. Nom há gastos de impressom e os de distribuiçom som muito reduzidos, pois umha parte importante deles é paga polo leitor.

  4. Na rede nom há apenas entraves para lançar um novo médio, como sim há para um jornal em papel, umha rádio ou umha televisom retransmitidas polas ondas. Isto facilita à cidadania poder publicar facilmente a sua opiniom, fazendo nalguns casos competência as empresas jornalísticas.

  5. Como conseqüência dos três pontos anteriores há muita oferta, que deve ser pagada com publicidade, e a competência polos recursos escassos é feroz.

  6. Por último, os jornais na rede competem com os jornais em papel, e mais, com freqüência um jornal em papel vê reduzida a sua difusom pola competência do mesmo jornal na rede.

08 julho 2011

Reflexões ao fio do projecto Sermos Galiza - I

Quais som os produtos dum jornal?

Numha visom inocente as empresas jornalísticas produzem informaçom, e portanto para poder sobreviver precisam cobrar polo seu produto, bem directamente aos consumidores, bem indirectamente por meio da propaganda. Porém os média fornecem ao seu público algo mais que informaçom, fornecem-lhes os elementos fundamentais para organizarem a sua mundovisom, a maneira na que interpretam a realidade, i.e. fornecem-lhes ideologia e dirigem a sua olhada sublinhando uns assuntos e agachando outros.

Nas sociedades democráticas a capacidade dos média de influírem decisivamente nas opiniões públicas é poder. E na lógica capitalista este poder tem um valor económico, ou seja, é também um produto dos média. Assim som bem conhecidas as ajudas económicas, mediante subsídios ou propaganda desnecessária, que a imprensa galega recebe desde as distintas administrações: Junta, deputações, concelhos, para os seus governantes serem bem tratados polas empresas que recebem tais ajudas. Estas ajudas venhem-se outorgando às empresas jornalísticas ininterruptamente desde o princípio da democracia1, algo do que nom usufruí nengum outro sector económico.

Mas nom som apenas as administrações públicas as que pagam polo poder dos média. Nom é raro os média silenciarem as protestas cidadás contra certas empresas. A maneira de pagar estes silêncios nom é usualmente tam clara como a das administrações públicas, mas é indubitável que o tais silêncios tenhem preço.

Nesta situaçom pretender ter umha empresa jornalística independente, crítica com os poderes públicos e económicos, que “venda” unicamente informaçom desaproveitando um dos seus produtos principais, a sua capacidade de influir na opiniom pública, que nom “venda” poder, é muito difícil roçando o impossível. Só se os ganhos obtidos da venda da informaçom for muito superior aos ganhos obtidos na venda do poder, seria isto possível.

1No regime anterior resultava inconcebível os média ousarem criticar os poderes públicos. Por outras palavras, as administrações públicas nom tinham necessidade de comprar os favores das empresas jornalísticas, pois tinham outros meios, muito efectivos, para assegurar-se um trato excelente.

17 julho 2009

A melhor maneira de defender o galego?

Perguntam no Xornal qual é a melhor maneira de defender o galego. Eis a minha opiniom, longa de mais para a deixar numha caixa de comentários.

Rádios comunitárias em galego.

Quantas rádios emitem na Galiza em galego? quando menos maioritariamente. Onde eu moro nom há nengumha. Em teoria a Radio Galega emite integramente em galego, mas na realidade, isto dista muito de ser certo.
  1. A maioria da música que emitem é cantada em castelhano, seguida em percentagem da música cantada em inglês. Cantigas em galego, da Galiza ou internacional, emitem umha percentagem mínima, ridícula, sobre todo para umha rádio cuja raison d'etre é promover a cultura galega.
  2. Se bem os locutores falam galego, é muito habitual trazerem invitados que coitados deles, só sabem falar castelhano. Tenho comprovado pessoalmente que nom se preocupam o mais mínimo em procurar alguém que fale em galego. Se esta rádio fosse a única que houver na Galiza, seria bom que reflectira a diversidade lingüística do pais. Mas para escuitar falar castelhano, e para que a gente se poda exprimir em castelhano já estám o resto das emissoras. O difícil na Galiza é ouvir falar galego na rádio, nom ouvir falar castelhano.
  3. Outra porta, bem larga, de entrada do castelhano na rádio galega, som as numerosas declarações dos mais diversos pessoeiros espanhóis. O locutor conta primeiramente, em galego, o que dixo o dito pessoeiro, para seguidamente reproduzir na integra as declarações. Algum dos dous sobra, ou o locutor ou o pessoeiro. Infelizmente está abertura lingüística só se dá com o castelhano, e nom com outras línguas.
  4. Por último está o problema da qualidade do galego falado polos locutores, em muitos casos bastante castelhanizado. Cousa lógica quando se sabe que boa parte deles tenhem por língua usual o castelhano.
Infelizmente as outras emissoras que eu podo sintonizar de Santiago, emitem só alguns poucos programas em galego, e muitas vezes a contragosto, e nota-se.

O stablisment antigalego tem proibido eficazmente as rádios legais em galego. Como?, negando-lhe as licenças a empresas galegas e dando-lhas a empresas espanholas ou "galhegas". É possível que a intençom primária nom seja liquidar o galego, senom favorecer aos amigos, mas o efeito secundário é demolidor.

Se queremos rádios em galego, nom há pois mais remédio que fazer rádios alegais. Noutros países existe a possibilidade de montar rádios comunitárias. Mas no estado espanhol o poder desconfia, já vem de velho, do povo.

Montar rádios alegais tem o problema de que o poderes podem fechar as rádios quando quiger. Contodo há também muitas rádios alegais emitindo por Espanha adiante, e penso que no momento actual, tendo em conta os compromissos que tem assinado o estado espanhol de promoçom das línguas minoritária, nom seria muito provável que fossem a fechar as rádios comunitárias em galego.

10 março 2009

Azzurro

Há uns dias que me ronda pola cabeça umha cançom de Adriano Celentano, Azzurro. Assim que como terapia puxem-me a traduzi-la, e aproveito esta minha versom para reviver um pouco este meu blogue.
Azzurro
Cerco l'estate tutto l'anno
e all'improvviso eccola qua.
Lei è partita per le spiagge
e sono solo quassù in città,
sento fischiare sopra i tetti
un aeroplano che se ne va.
Azul
Busco o verám todo o ano
E de improviso ei-lo aqui
Ela partiu para a praia
E estou só aqui na cidade
Sinto zunir sobre os teitos
Um aeroplano que marcha.
Azzurro,
il pomeriggio è troppo azzurro
e lungo per me.
Mi accorgo
di non avere più risorse,
senza di te,
e allora
io quasi quasi prendo il treno
e vengo, vengo da te,
ma il treno dei desideri
nei miei pensieri all'incontrario va.
Azul,
a tarde é muito azul
e longa pra mim.
Decato-me
que nom há mais recursos,
sem ti,
e entom
eu quase quase pego o trem
e vou, vou onda ti
mas o convoio dos desejos
nos meus pensamentos vai às avessas.
Sembra quand'ero all'oratorio,
con tanto sole, tanti anni fa.
Quelle domeniche da solo
in un cortile, a passeggiar...
ora mi annoio più di allora,
neanche un prete per chiacchierar...
Semelha quando estava no oratório
com tanto sol, tantos anos atrás
aqueles domingos sozinho
num pátio, a passear...
agora enfastio-me mais que entom,
nem mesmo um padre para conversar...
Azzurro,
il pomeriggio è troppo azzurro
e lungo per me.
Mi accorgo
di non avere più risorse,
senza di te,
e allora
io quasi quasi prendo il treno
e vengo, vengo da te,
ma il treno dei desideri
nei miei pensieri all'incontrario va.
Azul,
a tarde é muito azul
e longa pra mim.
Decato-me
que nom há mais recursos,
sem ti,
e entom
eu quase quase pego o trem
e vou, vou onda ti
mas o convoio dos desejos
nos meus pensamentos vai às avessas.
Cerco un pò d'Africa in giardino,
tra l'oleandro e il baobab,
come facevo da bambino,
ma qui c'è gente, non si può più,
stanno innaffiando le tue rose,
non c'è il leone, chissà dov'è...
Procuro um pouco de África no jardim,
entre o loendro e o baobab
como fazia quando rapaz
mas aqui há gente, nom se pode mais,
estám regando as tuas rosas,
nom existe leões, quem sabe onde estám...
Azzurro,
il pomeriggio è troppo azzurro
e lungo per me.
Mi accorgo
di non avere più risorse,
senza di te,
e allora
io quasi quasi prendo il treno
e vengo, vengo da te,
ma il treno dei desideri
nei miei pensieri all'incontrario va.
Azul,
a tarde é muito azul
e longa pra mim.
Decato-me
que nom há mais recursos,
sem ti,
e entom
eu quase quase pego o trem
e vou, vou onda ti
mas o convoio dos desejos
nos meus pensamentos vai às avessas.

13 agosto 2008

Gostaria de ouvir falar aos ossetas!!

No actual conflito em Ossétia um farta-se de escuitar ao presidente da Geórgia, pode mesmo escuitar aos dirigentes russos, ainda que menos, mas os ossetas, que som as vítimas, se quadra nom as únicas, esses permanecem sem voz.

01 agosto 2008

Cepticismo popular

Vierom mouros filisteus
e dérom-nos bem de paus
que os bons só ajuda Deus
se eles forem mais que os maus

18 março 2008

Sobre o nacionalismo


US AND THEM. The Enduring Power of Ethnic Nationalism

By Jerry Z. Muller


... the central tenets of ethnonationalist belief are that nations exist, that each nation ought to have its own state, and that each state should be made up of the members of a single nation.


Por isso é tam comun nos estados multinacionais o poder central, nas maos da naçom mais forte, procurar diluir as nações menores.

Nos últimos tempos, em que o nacionalismo nom está na moda entre intelectuais, a estratégia do nacionalismo central é disfarçar-se de cosmopolitismo, mas sem deixar de agir como verdadeiro nacionalismo procurando socavar os alicerces das nações menores. Falando de respeito entre as diversas culturas, mas sem respeitar as que têm mais a mao.

02 janeiro 2008

Leituras de verao - IV

Umha mulher rebelde1

Comprei este livro sem muito entusiasmo, se quadra por tê-lo feito num hipermercado, se quadra polo título --gosto muito mais do título da versom em inglês: Infidel--, em todo caso temendo fosse este um lançamento oportunista que aproveitasse a fama da autora para vender um livro talvez polémico, mas sem substância "literária". Tinha contodo uns quantos dias livres por diante, apetecia-me ler, e nom tinha tempo para ir a umha livraria.

Tivem sorte, os meus receios foram infundados, e o livro cativou-me rapidamente e li-no em 3 dias, e isso compatibilizando-o com outras "obrigas" no jardim e na cozinha. Um auténtico "page-turner".

Esta obra é a autobiografia dumha mulher corajosa, apaixonada e inteligente. Pode paracer pretensioso escrever umha autobiografia aos 37 anos, mas a sua vida intensa, vivida em 6 paises e 5 línguas, e sob ameaça de morte, justifica plenamente a escrita.

Das minhas leituras de verao, este é o livro que mais vivamente recomendo. A história é apaixonante e educativa. Que mais se pode pedir.




1 Ayaan Hirsi Ali, Uma mulher rebelde, ed. Presença, Lisboa, 2007

11 setembro 2007

Leituras de verao - III

O pecado de DARWIN1


O génio intelectual adoita ir contrabalanceado com outras características da personalidade que nom fam excessivamente agradável a convivência. Pense-se na infantilidade de Mozart, ou no mau feitio de Beethoven. E o génio científico nom é umha excepçom; Newton era rancoroso e vingativo, Erdös muito excêntrico, Heaviside cruel, Einstein, pacifista e de grande honradez intelectual, foi infiel as suas duas mulheres, tratando nom muito bem a primeira, e prestando muito pouca atençom aos filhos.

Mas Darwin foi um pai e esposo devotado, e umha pessoa humilde e bondosa, que apesar dumha saude muito delicada, levou a cabo um trabalho de investigaçom hercúleo que revolucionou a biologia.

Bom demais, deveu pensar John Darnton. Assim que escreveu umha estória alternativa sobre a vida de Darwin e a origem da teoria da evoluçom por selecçom natural, onde deita umhas quantas sombras sobre a figura do sr. Darwin. O romance, em forma de pesquisa histórico-policial, lê-se bem quase até o final, onde se desincha um tanto.

É umha leitura agradável, que recomendo seja completada por algumha biografia real. Umha boa escolha que está a disposiçom do leitor lusófono é a de White & Gribbin2, publicada nom há muito pola Europa-America.

O sinto sr. Darnton, mas Charles Darwin segue a ser um dos meu heróis.

1John Darnton, O pecado de Darwin, ed. casadasletras, 2007.
2Michael White e John Gribbin, Darwin, ed. Europa-América, 2004.

06 setembro 2007

Leituras de verao - II

Einstein Defiant. Genius versus Genius in the Quantum Revolution1

É esta umha crónica dum dos eventos mais importantes da física moderna: a revoluçom quântica. Crónica magistralmente complementada com umha descriçom impressionista, pinceladas esparsas mas reveladoras, da história política e social na que se inscreve a história científica. Consegue o autor nesta obra algo nom sempre fácil, escrever um relato de inegável qualidade literária, com umha prosa elegante, fluida e empolgante; e assemade educativo: informando ao leitor com umha linguagem bastante acessível, dos conceitos físicos que discutem os protagonistas do processo revolucionário. O qual nom é sem mérito, já que muitos deles som conceitos realmente estranhos para a mente humana.


Os protagonistas principais da história som Einstein e Bohr, mas logicamente nom se esquece de secundários importantes como Born, De Broglie, Dirac, Ehrenfest, Heisenberg, Planck, ou Schrödinger.

Sendo este um livro recomendável para qualquer um com umha certa cultura científica, resulta especialmente recomendável para os estudantes universitários que tenham que lidar, com umha certa profundidade, com os mistérios da teoria quântica.



1 Edmund Blair Bolles, Einstein Defiant. Genius versus Genius in the Quantum Revolution, ed. Joseph Henry Press, Washington (USA), 2004.

03 setembro 2007

Leituras de verao - I

RELIGIÃO: TUDO O QUE É PRECISO SABER1

Na capa da ediçom portuguesa aparece acompanhando ao título a frase que se supom resume o livro:
A evolução da Religião explicada por um dos maiores especialistas em História das Religiões.
Foi esta frase que me fez comprar o livro, mas após a sua leitura acho que um resumo melhor seria:
Do que se sabe, nom fala. Do que fala, nom se sabe.
Explico-me; o capítulo 2, dedicado a pré-história, tem 88 páginas, a pesar de que deste período nom haja vestígios escritos e muito poucos arqueológicos que permitam reconstruir os pensamentos religiosos da época. Porém ao cristianismo dedica 3'5 páginas e ao islám 2'5 páginas. Ignorando logicamente as multiplas seitas e variantes cristás e muçulmanas.

Umha vez superado o capítulo 2, onde o autor realiza árduos esforços por imaginar as religiões paleolíticas e neolíticas, a partir de dados muito escassos, num exercício dispensável de ficçom-histórica, o livro tem o seu interesse, oferecendo umha vissom global dos fenómenos religiosos na Eurásia. Contodo o pouco espaço dedicado aos monoteísmos faz que o subtítulo seja muito exagerado.

1 Karl-Heinz Ohlig, Religião: Tudo o que é preciso saber, ed. casadasletras 2007.

21 agosto 2007

Plantas invasoras

Navegando à toa por internet fum dar com um site bem interessante:

Plantas invasoras em Portugal.

Muito bem documentado, com boas fotografias e um texto acessível. Das espécies listadas como invasoras, a maior parte também invadem a Galiza, servindo portanto o dito site também para a nossa terra.
Umha cousa que me chamou muitíssimo a atençom, é nom listarem nengumha das espécies do genero Eucalyptus como umha pranta invasora em Portugal. Se calhar o Eucalyptus globulus nom é legalmente umha planta invasora, a pesar de inçar polo norte de Portugal tanto como na Galiza. Mas a secçom: Impactos das espécies vegetais invasoras, semelha estar escrito pensando nele.

13 julho 2007

A única igreja verdadeira

Reafirma-se a Igreja Católica como a única verdadeira. E faz bem. A Igreja Católica Romana é a única igreja verdadeira. Mas para sermos honestos também há que dizer que a Igreja das Testemunhas de Jeová é também a única igreja verdadeira, e que a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa é também a única igreja verdadeira, e que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é também a única igreja verdadeira, e que um longuíssimo etc de igrejas cristás, e outro ainda mais longo etc de igrejas nom cristiás som todas elas a única igreja verdadeira.

Compreendo que haja pessoas que considerem impossível haver mais de umha única igreja verdadeira, mas o que pode parecer ilógico para a fraca e falível mente humana, e porém lógico e verdadeiro para a mente divina, omnisciente e infinita. Como bem explicam as igrejas cristás, ou polo menos a maioria, Deus é um só mas composto de 3 pessoas, nom sendo cada umha dessas pessoas umha parte de Deus, senom Deus propriamente dito. Resumindo Deus é um e trino simultanemente. É só a finitude da compreensom humana o que explica a dificultade que temos para entender o chamado mistério de Santisima Trindade.

Da mesma maneira, no entanto a lógica humana rejeita a possibilidade de haver múltiplas única igreja verdadeira, na lógica divina nada há impossível.

07 maio 2007

Admirável home novo

Sarkozy é um home admirável. Após nem sei quantos anos de ministro foi quem de apresentar-se como um renovador e ganhar. Em duas palavras "im prezionante".

Qual é o pensamento de Sarkozy, qual vai ser a sua política?, qui sait?. Diante dum público diz umhas cousas, diante doutro outras. Nisso nom se diferença de muitos outros político, mas ele sabe como conquistar a gente, modula a sua voz como os melhores actores, e sabe fugir dos seus pontos fracos, escolhendo o discurso que mais lhe beneficia.

É um autêntico sedutor. Nisso lembra-me muito a: Chirac. Ou seja umha mudança espectacular.




12 abril 2007

Versom em árabe d'El Mundo

Contam os media que o terrorismo islamista voltou atacar con força na Argélia, e tentou fazê-lo também no Marrocos. Pergunto-me se os bons muçulmanos vítimas nun destes atentados têm ou nom direito a virgens no paraiso?, quantas?.

Contodo o que mais me preocupa é as autoridades magrebinas ignorarem que trás todos estes morticínios está a mao da ETA, conluiados como é bem sabido com as hostes polanco-socialistas. Para quando umha versom d'El Mundo em árabe?!.

12 janeiro 2007

Antiamericanismo

Se eu fosse anti-americano estaria deliciado com o actual presidente do EUA. Nos seus dous mandatos está a conseguir:

  1. diminuir a influença do seu pais em todo o planeta,
  2. afundir a sua economia,
  3. embarulhar a sua burocracia,
  4. danar significativamente a ciencia norteamericana

Agora quer enviar mais tropas ao Iraque, entanto procura novos enemigos na Siria e no Iram, afundando a divisom no seu pais e sobrecarregando o seu exército. Que mais se pode pedir!. Desde logo é dificil fazer mais em menos tempo.

11 janeiro 2007

Erros e acertos

No ano 2000, aquando das eleições presidenciais dos EUA, em conversa fiada afirmei que preferia ganhar Bush, já que pouca diferença ia haver entre el e Al Gore, mas com o republicano íamos ter mais diversom.

Tenho que confessar que fiz um enorme erro de julgamento, e umha terrível injustiça para com Al Gore. Homem ao que hoje em dia valor muito mais do que entom, e nom só em comparança com o actual presidente dos EUA. Mas também posso dizer, com um ponto de orgulho, que nom me enganei na capacidade do sr. Bush junior em dar espectáculo e afastar o tédio das nossas vidas. Com ele cumpriu-se a a maldiçom chinesa: vivemos uns tempos interessantes.

09 janeiro 2007

O olho da Pescanova

Pescanova tivo que abandonar um projecto para a construçom dumha granja de rodovalho na Galiza, no cabo Tourinham, por escolher como local um sítio parte da Rede Natura 2000 da UE. Amuados por o governo galaico querer fazer cumprir as leis, que cousas têm alguns governos, anunciou retumbante que levaria a cabo o projecto noutras terras, e que a Galiza ficaria sem a choruda inversom. E marchárom a Portugal, mas com tam bom olho que escolhêrom como localizaçom para a nova granja outra parte da Rede Natura. Porém seica as leis portuguesas som mais elásticas do que as galegas, ou o governo português é mais incumpridor das suas leis, assi que por agora seguem adiante com o seu projecto.