18 março 2008

Sobre o nacionalismo


US AND THEM. The Enduring Power of Ethnic Nationalism

By Jerry Z. Muller


... the central tenets of ethnonationalist belief are that nations exist, that each nation ought to have its own state, and that each state should be made up of the members of a single nation.


Por isso é tam comun nos estados multinacionais o poder central, nas maos da naçom mais forte, procurar diluir as nações menores.

Nos últimos tempos, em que o nacionalismo nom está na moda entre intelectuais, a estratégia do nacionalismo central é disfarçar-se de cosmopolitismo, mas sem deixar de agir como verdadeiro nacionalismo procurando socavar os alicerces das nações menores. Falando de respeito entre as diversas culturas, mas sem respeitar as que têm mais a mao.

02 janeiro 2008

Leituras de verao - IV

Umha mulher rebelde1

Comprei este livro sem muito entusiasmo, se quadra por tê-lo feito num hipermercado, se quadra polo título --gosto muito mais do título da versom em inglês: Infidel--, em todo caso temendo fosse este um lançamento oportunista que aproveitasse a fama da autora para vender um livro talvez polémico, mas sem substância "literária". Tinha contodo uns quantos dias livres por diante, apetecia-me ler, e nom tinha tempo para ir a umha livraria.

Tivem sorte, os meus receios foram infundados, e o livro cativou-me rapidamente e li-no em 3 dias, e isso compatibilizando-o com outras "obrigas" no jardim e na cozinha. Um auténtico "page-turner".

Esta obra é a autobiografia dumha mulher corajosa, apaixonada e inteligente. Pode paracer pretensioso escrever umha autobiografia aos 37 anos, mas a sua vida intensa, vivida em 6 paises e 5 línguas, e sob ameaça de morte, justifica plenamente a escrita.

Das minhas leituras de verao, este é o livro que mais vivamente recomendo. A história é apaixonante e educativa. Que mais se pode pedir.




1 Ayaan Hirsi Ali, Uma mulher rebelde, ed. Presença, Lisboa, 2007

11 setembro 2007

Leituras de verao - III

O pecado de DARWIN1


O génio intelectual adoita ir contrabalanceado com outras características da personalidade que nom fam excessivamente agradável a convivência. Pense-se na infantilidade de Mozart, ou no mau feitio de Beethoven. E o génio científico nom é umha excepçom; Newton era rancoroso e vingativo, Erdös muito excêntrico, Heaviside cruel, Einstein, pacifista e de grande honradez intelectual, foi infiel as suas duas mulheres, tratando nom muito bem a primeira, e prestando muito pouca atençom aos filhos.

Mas Darwin foi um pai e esposo devotado, e umha pessoa humilde e bondosa, que apesar dumha saude muito delicada, levou a cabo um trabalho de investigaçom hercúleo que revolucionou a biologia.

Bom demais, deveu pensar John Darnton. Assim que escreveu umha estória alternativa sobre a vida de Darwin e a origem da teoria da evoluçom por selecçom natural, onde deita umhas quantas sombras sobre a figura do sr. Darwin. O romance, em forma de pesquisa histórico-policial, lê-se bem quase até o final, onde se desincha um tanto.

É umha leitura agradável, que recomendo seja completada por algumha biografia real. Umha boa escolha que está a disposiçom do leitor lusófono é a de White & Gribbin2, publicada nom há muito pola Europa-America.

O sinto sr. Darnton, mas Charles Darwin segue a ser um dos meu heróis.

1John Darnton, O pecado de Darwin, ed. casadasletras, 2007.
2Michael White e John Gribbin, Darwin, ed. Europa-América, 2004.

06 setembro 2007

Leituras de verao - II

Einstein Defiant. Genius versus Genius in the Quantum Revolution1

É esta umha crónica dum dos eventos mais importantes da física moderna: a revoluçom quântica. Crónica magistralmente complementada com umha descriçom impressionista, pinceladas esparsas mas reveladoras, da história política e social na que se inscreve a história científica. Consegue o autor nesta obra algo nom sempre fácil, escrever um relato de inegável qualidade literária, com umha prosa elegante, fluida e empolgante; e assemade educativo: informando ao leitor com umha linguagem bastante acessível, dos conceitos físicos que discutem os protagonistas do processo revolucionário. O qual nom é sem mérito, já que muitos deles som conceitos realmente estranhos para a mente humana.


Os protagonistas principais da história som Einstein e Bohr, mas logicamente nom se esquece de secundários importantes como Born, De Broglie, Dirac, Ehrenfest, Heisenberg, Planck, ou Schrödinger.

Sendo este um livro recomendável para qualquer um com umha certa cultura científica, resulta especialmente recomendável para os estudantes universitários que tenham que lidar, com umha certa profundidade, com os mistérios da teoria quântica.



1 Edmund Blair Bolles, Einstein Defiant. Genius versus Genius in the Quantum Revolution, ed. Joseph Henry Press, Washington (USA), 2004.

03 setembro 2007

Leituras de verao - I

RELIGIÃO: TUDO O QUE É PRECISO SABER1

Na capa da ediçom portuguesa aparece acompanhando ao título a frase que se supom resume o livro:
A evolução da Religião explicada por um dos maiores especialistas em História das Religiões.
Foi esta frase que me fez comprar o livro, mas após a sua leitura acho que um resumo melhor seria:
Do que se sabe, nom fala. Do que fala, nom se sabe.
Explico-me; o capítulo 2, dedicado a pré-história, tem 88 páginas, a pesar de que deste período nom haja vestígios escritos e muito poucos arqueológicos que permitam reconstruir os pensamentos religiosos da época. Porém ao cristianismo dedica 3'5 páginas e ao islám 2'5 páginas. Ignorando logicamente as multiplas seitas e variantes cristás e muçulmanas.

Umha vez superado o capítulo 2, onde o autor realiza árduos esforços por imaginar as religiões paleolíticas e neolíticas, a partir de dados muito escassos, num exercício dispensável de ficçom-histórica, o livro tem o seu interesse, oferecendo umha vissom global dos fenómenos religiosos na Eurásia. Contodo o pouco espaço dedicado aos monoteísmos faz que o subtítulo seja muito exagerado.

1 Karl-Heinz Ohlig, Religião: Tudo o que é preciso saber, ed. casadasletras 2007.

21 agosto 2007

Plantas invasoras

Navegando à toa por internet fum dar com um site bem interessante:

Plantas invasoras em Portugal.

Muito bem documentado, com boas fotografias e um texto acessível. Das espécies listadas como invasoras, a maior parte também invadem a Galiza, servindo portanto o dito site também para a nossa terra.
Umha cousa que me chamou muitíssimo a atençom, é nom listarem nengumha das espécies do genero Eucalyptus como umha pranta invasora em Portugal. Se calhar o Eucalyptus globulus nom é legalmente umha planta invasora, a pesar de inçar polo norte de Portugal tanto como na Galiza. Mas a secçom: Impactos das espécies vegetais invasoras, semelha estar escrito pensando nele.

13 julho 2007

A única igreja verdadeira

Reafirma-se a Igreja Católica como a única verdadeira. E faz bem. A Igreja Católica Romana é a única igreja verdadeira. Mas para sermos honestos também há que dizer que a Igreja das Testemunhas de Jeová é também a única igreja verdadeira, e que a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa é também a única igreja verdadeira, e que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é também a única igreja verdadeira, e que um longuíssimo etc de igrejas cristás, e outro ainda mais longo etc de igrejas nom cristiás som todas elas a única igreja verdadeira.

Compreendo que haja pessoas que considerem impossível haver mais de umha única igreja verdadeira, mas o que pode parecer ilógico para a fraca e falível mente humana, e porém lógico e verdadeiro para a mente divina, omnisciente e infinita. Como bem explicam as igrejas cristás, ou polo menos a maioria, Deus é um só mas composto de 3 pessoas, nom sendo cada umha dessas pessoas umha parte de Deus, senom Deus propriamente dito. Resumindo Deus é um e trino simultanemente. É só a finitude da compreensom humana o que explica a dificultade que temos para entender o chamado mistério de Santisima Trindade.

Da mesma maneira, no entanto a lógica humana rejeita a possibilidade de haver múltiplas única igreja verdadeira, na lógica divina nada há impossível.