27 abril 2006

Montes dourados

Na primavera tojos e gestas recobrem de ouro os montes galegos, fazendo-nos esquecer por um tempo da desfeita que os neobárbaros estám a completar na nossa terra.

20 abril 2006

Tempora mutantur II

Acabo de ver um par de obreiros com um fato macaco (mono em castelhano) de cor rosa. Já e a segunda vez que os vim, a primeira achei ser umha miragem, mas agora estou seguro nom ter sonhado.

Muito mudárom as modas masculinas nestes últimos anos. Há só 30 anos nengumha empresa da construçom pensaria em ter uns fatos macacos rosas para os seus empregados, e se algum directivo ousa-se tamanha heresia a rebeliom das massas operarias fanaria rapidamente a inovaçom de vestiário.

21 fevereiro 2006

Tempora mutantur

A rebufo da polémica sobre as caricaturas de Maomé o Papa Bento XVI declarou ser


necessário e urgente que as religiões e os seus símbolos sejam respeitados e que os crentes não sejam alvo de provocações que firam a sua iniciativa e os seus sentimentos religiosos.



Isto lembrou-me um meu professor de religiom, sacerdote católico com algum carrego na catedral de Lugo. Voz portanto autorizada, se bem nom tanto como o Papa. Nalgum momento falou-nos do Islám, que sendo fundada por um tolo com alucinações, i.e. Maomé, nom podia senom ser opus diaboli (obra do demo).

20 fevereiro 2006

As duas terras

Em tempos conturbados e conturbantes como estes, onde umhas caricaturas incendeiam meio planeta, entanto na Península Ibérica assustimos a um revival nacional catolicista, vêm-se-me a cabeça as palavras de Abu-Ala al-Maari, escritor sírio do século XI:

Os habitantes da Terra dividem-se ao meio:
os que têm um cérebro mas nengumha religiom,
e os que têm umha religiom, mas nengum cérebro.

29 janeiro 2006

(Re)vestindo poemas II

Há uns dias um amigo, contumaz leitor de poesia, dixo-me que ficará deslumbrado polo seu último descobrimento: Dario Xoan Cabana. A mim, que gosto de poucos poetas, resultou-me estranho que alguém, que já nom é um rapaz, pudera descobrir agora ao sr. Cabana. Autor que conheço[1] e apreço desde A Fraga Amuralhada, editada no já longuíquo 1983. Cousas da vida.

Sendo como é persoeiro da FPG, asocio a sr. Cabana com o isolacionismo, e se quadra parece-lhe mal o meu atrevimento de vestir os seus versos com umha grafia distinta da sua original. Mas espero que, caso chegue a saber desta ousadia, veja nela o que é, um tributo ao seu talento.


Fraga no coraçom, nossa morada,
pedra velha luída polo fume,
coutamento que bravo e fero lume
converte em mansa a cousa dominada.

Fraga no coraçom e levantada
que de todo o que somos é resume,
lentor de velho e cálido costume,
alegria de cousa inesperada.

Fraga que dentro nossa amuralhamos
c'o nosso coraçom arrodeada,
casa própria que amamos e habitamos
considerando o decorrer da vida,
considerando a pedra cinzelada,
considerando a morte pressentida.
Dario Xoán Cabana


[1] Conhecimento literário, nom pessoal.

20 dezembro 2005

Cidade de Deus - Filme do Demo

Anunciavam os passado dia 30 de Novembro no PGL um ciclo de cinema em português na Universidade de Vigo. Abrindo o ciclo, ainda nom rematado, estava o filme de Fernando Meirelles Cidade de Deus. Eu vim o filme em Lisboa, gostei dele apesar de quase nom perceber os diálogos, percebim a voz do narrador (voz em off), mas quando falavam as personagens na favela (a maior parte da fita sonora) percebim exactamente 3 palavras: caralho, moleque e molecada. Se bem tais palavras repetiam-se abundantemente durante o filme. Graças a internet sei que nom fum o único em ter dificultades.

Nunca estive no Brasil, mas tenho visto outros filmes brasileiros, e desde há um par de meses recebo via satélite um par de canais de televisom brasileiras. Ouvindo a televisom, esses outros filmes, diria que no Brasil falam galego tropical. Ouvindo Cidade de Deus, poria em dúvida que falassem algumha língua indoeuropeia. Suponho que o filme reflecte fielmente a fala das favelas cariocas, mas esta dista muito do brasileiro padrom.

Suponho que os redactores do PGL incluem a notícia do ciclo, encabeçando-a com um cartaz do dito filme, pensando em que a divulgaçom de recursos lusófonos na Galiza é boa sempre. Mas na minha opiniom isto nom é sempre certo. Alguém que entre em contacto por primeira vez com o português do Brasil graças a este filme, mesmo com umha boa apresentaçom da realidade lingüística do pais, facilmente pode tirar umhas conclusões erradas sobre os falares brasileiros, nada favorecedoras às teses reintegracionistas.

Saiu-me a mensagem um tanto negativa, mas apesar de ter gostado do filme, seria o último filme que eu utilizaria para fazer propaganda reintegracionista.

16 dezembro 2005

A queda do impêrio romano

Esta semana, às terças, começárom a emitir na televisom espanhola Cuatro umha série de televisom de BBC/HBO intitulada ROMA. O seu primeiro episódio foi magnífico, quando menos do ponto de vista da reconstruçom do ambiente.

Comentado sobre esta série com uns amigos saiu como nom o tema da decadência do Império Romano. Esta é umha das inverdades com mais sucesso da história ocidental, a que liga da decadência do Império Romano com os costumes dissolutos e o deboche dumha sociedade exemplificada nos excessos dos imperadores Julio-Claudianos (Tibério, Calígula, Cláudio e Nero).

É certo que a sociedade romana nos seus principados tinha uns valores morais que podem resultar decadentes para alguns: as práticas homossexuais eram bastante gerais, a pornografia era muito comum (como se pode ver na ruinas de Pompeia), o infanticídio era umha prática corriqueira... Mas também é inegável que esta época se corresponde ao início do império, século I, e nom a sua decadência, século V.

Alias pode-se afirmar rotundamente que a decadência do Império Romano dá-se quando este é já um estado cristao, a partir do principado de Teodósio I (379–395). Portanto se há algumha relaçom entre a queda do Império Romano e costumes morais e religiosos, deveria chamar-se decadentes os costumes e moral cristaos, e nom os pagaos.